{"id":140,"date":"2012-10-18T16:11:00","date_gmt":"2012-10-18T19:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/?p=140"},"modified":"2012-10-19T09:56:56","modified_gmt":"2012-10-19T12:56:56","slug":"arroz-faz-historia-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/index.php\/arroz-faz-historia-no-japao\/","title":{"rendered":"O arroz faz hist\u00f3ria no Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_143\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/arroz.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-143\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-143\" title=\"arroz\" src=\"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/arroz.png\" alt=\"Arroz no Jap\u00e3o | Restaurante Miyo Comida Japonesa Curitiba\" width=\"300\" height=\"252\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-143\" class=\"wp-caption-text\">Arroz no Jap\u00e3o | Restaurante Miyo Comida Japonesa Curitiba<\/p><\/div>\n<p>O arroz \u00e9 a base da dieta dos japoneses h\u00e1 mais de 3.000 anos, e mesmo com a ocidentaliza\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos, n\u00e3o h\u00e1 como ficar longe dele no dia a dia daquele pa\u00eds: da bebida alco\u00f3lica ao doce, do ch\u00e1 ao cosm\u00e9tico, das cerim\u00f4nias da Casa Imperial at\u00e9 as festas populares da primavera e do outono, l\u00e1 est\u00e1 o cereal.<\/p>\n<p>Diz a tradi\u00e7\u00e3o japonesa que h\u00e1 88 deuses em cada gr\u00e3o de arroz. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m quem diga que s\u00e3o 7 ou at\u00e9 108. Independentemente do n\u00famero de divindades, a cren\u00e7a mostra qu\u00e3o importante \u00e9 o cereal para os japoneses.<\/p>\n<p>Os primeiros vest\u00edgios de planta\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o datam de 2.500 anos atr\u00e1s. O tanbo (planata\u00e7\u00e3o de arroz alagada) mais antigo est\u00e1 na prov\u00edncia de Okayama. Mas h\u00e1 pelo menos 3.000 anos seu cultivo teria sido transmitido aos japoneses pela China.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio tradicional japon\u00eas est\u00e1 atrelado ao arroz tanto para os nobres como para as pessoas comuns. As principais festas tradicionais ocorrem na \u00e9poca do plantio e da colheita, ou seja, na primavera e no outono. Muitas festividades que acontecem no ver\u00e3o s\u00e3o para pedir tempo bom e chuva para dar boa colheita. E os japoneses encerram o ano fazendo mochi, o bolinho de arroz socado, que \u00e9 usado para fazer a primeira refei\u00e7\u00e3o do ano, e o zouni, ou sopa com mochi.<\/p>\n<p>O arroz tamb\u00e9m \u00e9 o centro dos rituais da fam\u00edlia imperial: no m\u00eas de novembro subsequente \u00e0 entroniza\u00e7\u00e3o do novo imperador acontece o Oonie no Matsuri, quando o novo chefe de Estado faz oferendas aos deuses e ele mesmo come o arroz. A oferenda \u00e9 feita em dois espa\u00e7os, e para cada um deles \u00e9 escolhido gr\u00e3os de diferentes partes do pa\u00eds, geralmente um da regi\u00e3o oeste e outro da regi\u00e3o leste. Ap\u00f3s o primeiro ano, o imperador participa do Niinamesai, no dia 23 de novembro, quando oferece os cinco principais cereais aos deuses, para agradecer a safra daquele ano. Em fevereiro acontece o Kinensai, quando o imperador pede boa safra aos deuses.<\/p>\n<p><strong>Artigo de luxo<\/strong><\/p>\n<p>Por um longo tempo, o arroz branco foi artigo de luxo para os japoneses. Seu plantio exige terra rica em nutrientes e, em regi\u00f5es montanhosas ou muito frias, as pessoas comuns comiam outros cereais, como soba (trigo sarraceno), hie (um tipo de gr\u00e3o) e awa (pain\u00e7o). O arroz era comida de dia de festa. Era tamb\u00e9m comum misturar o arroz a outros alimentos, como nabo \u2013 o daikonmeshi, que ficou famoso com Oshin, novela levada ao ar pela NHK em 1983.<\/p>\n<p>Depois de alguns anos de estabilidade, o pre\u00e7o do arroz disparou em meados de 1918: de acordo com registros do mercado de Dojima, Osaka, em janeiro de 1918, 1 koku (180,39 litros ou aproximadamente 150 quilos) de arroz custava 15 ienes (R$ 0,31). Em junho do mesmo ano a mesma quantidade era vendida por 20 ienes (R$ 0,62), e em julho j\u00e1 chegava a 30 ienes (R$ 0,93), mais do que a renda m\u00e9dia mensal dos japoneses de ent\u00e3o. A disparada no pre\u00e7o estaria relacionada ao aumento do consumo do arroz e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o, por influ\u00eancia da Primeira Guerra Mundial. A alta do pre\u00e7o desencadeou uma onda de protestos que chegou a 369 localidades de 41 prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Em 22 de julho de 1918, algumas dezenas de mulheres impediram o carregamento de arroz no navio Ibuki-maru, no porto de Uozu, Toyama, que seria levado a Hokkaido. As mulheres, que pediam que o arroz fosse vendido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local, foram dispersadas pela pol\u00edcia, mas, no dia 3 de agosto, cerca de 200 pessoas fizeram manifesta\u00e7\u00e3o na atual cidade de Toyama pedindo a distribuidores de arroz que n\u00e3o mandassem o cereal a outras localidades e vendessem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local. Tr\u00eas dias depois j\u00e1 eram mais de 1.000 pessoas protestando, o que obrigou a venda do arroz por 0,35 iene (R$ 0,01) por 1 shou (aproximadamente 1,5 quilo), quando o pre\u00e7o m\u00e9dio era de 0,40 a 0,50.<\/p>\n<p>O incidente acabou levando o ent\u00e3o primeiro-ministro Masatake Terauchi a renunciar. Takashi Hara tornou-se o primeiro pol\u00edtico plebeu a ocupar o posto no Jap\u00e3o, em setembro de 1918. Hara, chamado de \u201cpremi\u00ea plebeu\u201d, foi bem recebido pelo povo.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de plantio<\/strong><\/p>\n<p>O desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas e variedades mais resistentes aumentou a produtividade do arroz, e hoje \u00e9 poss\u00edvel suprir o mercado japon\u00eas com somente 60% da \u00e1rea dispon\u00edvel para plantio.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo realizado por Kazuhito Yamashita, pesquisador da Rieti, 40% das calorias ingeridas pelos japoneses, em 2000, eram provenientes do arroz \u2013 em 1969 este n\u00famero chegava a 79%. Em 1962, cada japon\u00eas consumia em m\u00e9dia 118,3 quilos de arroz por ano, mas em 2006 eram ingeridos 61 quilos por ano, em m\u00e9dia, incluindo arroz in natura, mochi e doces. Arroz usado para fazer saqu\u00ea, temperos e similares n\u00e3o est\u00e3o inclusos nesta conta. Calcula-se que em 2008 o consumo anual per capita de arroz chegou a 55 quilos.<\/p>\n<p>O aumento da produtividade fez que o estoque do cereal ficasse muito acima do consumo e o governo, que antigamente estimulava planta\u00e7\u00f5es do gr\u00e3o, passou a proibir o aumento do plantio em 1970, para evitar a queda excessiva de seu pre\u00e7o. Como forma de compensar o produtor, o Jap\u00e3o d\u00e1 subs\u00eddios ao produtor que usar o terreno da planta\u00e7\u00e3o para produzir outros alimentos. Kazuyasu Yokoyama, produtor de arroz de Hokkaido que morou no Brasil entre 1989 e 1990, tamb\u00e9m participa do \u201cremanejamento\u201d da produ\u00e7\u00e3o de arroz, popularmente chamado gentan, pela redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de plantio. \u201cVendo o consumo de arroz por japoneses cair tanto, acho inevit\u00e1vel o remanejamento da produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Yoko-yama, que planta hoje quatro hectares do cereal. A medida varia de prov\u00edncia para prov\u00edncia, e em Hokkaido a \u00e1rea a ser reduzida varia conforme um ranking: \u201cNa minha prov\u00edncia, o tamanho da \u00e1rea \u00e9 calculado para cada cidade ou vila, de acordo com o volume da colheita, a qualidade do produto e estabilidade do volume colhido, dividindo em cinco notas. Para quem tem nota m\u00e1xima 5, a \u00e1rea a ser ajustada \u00e9 menor, e o que ultrapassa a m\u00e9dia \u00e9 repassado para quem tem nota 1. Dessa forma, os produtores competem entre si. N\u00e3o existe obrigatoriedade de aderir ao ajuste, mas como h\u00e1 subs\u00eddios, os produtores acabam aderindo\u201d, explica Yokoyama.<\/p>\n<p>Como forma de aumentar o consumo de arroz e reduzir o estoque do cereal, o governo japon\u00eas vem incentivando o uso de farinha feita com arroz. A farinha de arroz, h\u00e1 muito tempo, \u00e9 usada na culin\u00e1ria tradicional japonesa em doces como dango, uirou, sakuramochi e gyuhi, mas o governo e produtores estimulam o uso em pratos no estilo ocidental, substituindo a farinha de trigo, o que foi poss\u00edvel por causa de novos m\u00e9todos de processamento do gr\u00e3o. Alimentos feitos com farinha de arroz podem ser consumidos por pessoas com alergia a gl\u00faten, e hoje j\u00e1 existem no mercado produtos como p\u00e3o, macarr\u00e3o tipo espaguete, bolos e biscoitos com o ingrediente. Hoje h\u00e1 prov\u00edncias que servem p\u00e3o de farinha de arroz na merenda escolar, e calcula-se que se 10% do consumo de farinha de trigo puder ser trocado por de arroz, o consumo do ingrediente pode chegar a 600 mil toneladas frente \u00e0s atuais 100 mil. No filme publicit\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Agricultura, o popular teatr\u00f3logo Terry Ito afirma que o arroz \u00e9 mesmo o alimento dos japoneses e aparece comendo p\u00e3es como baguete e croissant. Mas logo a seguir, ele exclama \u201ccomo \u00e9 gostoso p\u00e3o de farinha de arroz\u201d. Conseguir\u00e1 o Jap\u00e3o levar o arroz de volta \u00e0 mesa dos japoneses, com nova roupagem?<\/p>\n<p><strong>Curiosidades<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O volume de arroz produzido no Jap\u00e3o em 2009 foi de\u00a08,4 milh\u00f5es de toneladas, sendo 36,5% da variedade koshihikari.<\/li>\n<li>S\u00e3o 1,6 milh\u00e3o de alqueires plantados, com m\u00e9dia de produtividade de 522 kg\/a.<\/li>\n<li>No Vietn\u00e3, \u00e9 usado para fazer pho (macarr\u00e3o) e b\u00e1hn tr\u00e1ng (rolinho primavera); na China se faz o bifun (macarr\u00e3o fino), laaifan e hofan (macarr\u00e3o grosso).<\/li>\n<li>Na Coreia, \u00e9 mat\u00e9ria-prima do teok, um tipo de nhoque.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O arroz \u00e9 usado para fazer:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>bebidas alco\u00f3licas como saqu\u00ea e mirin;<\/li>\n<li>ch\u00e1 genmaicha;<\/li>\n<li>temperos como misso, shoyu, vinagre;<\/li>\n<li>cola adesiva.<\/li>\n<\/ul>\n<div><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"line-height: 24px;\">fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nippobrasil.com.br\/culturatradicional\/553.shtml\">http:\/\/www.nippobrasil.com.br\/culturatradicional\/553.shtml<\/a><\/span><\/span><\/div>\n<div class=\"dltip\"><img class=\"imgdltip\"src=\"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/destaque.png\"><p>\r\n\r\n\r\nPara saborear os melhores pratos japoneses em Curitiba venha at\u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/restaurantemiyo.com.br\/index.php\/menu_categories\/cardapio\/\"><strong>Restaurante Miyo<\/strong><\/a>. 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